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O que o dinheiro pode fazer :: 11/08/2007


Tenho já ligado em minha mente, um despertador daqueles movido a corda, digo isso porque levanto todos dias as 04h00 da manhã para pegar no batente, s

Tenho já ligado em minha mente, um despertador daqueles movido a corda, digo isso porque levanto todos dias as 04h00 da manhã para pegar no batente, sem precisar de um relógio gritando na cabeceira da minha cama . E hoje amanheci pensando, e olhe que isto é coisa singular no meu cotidiano. O pensar faz doer a minha cabeça, as idéias ficam a sacudir os meus miolos de um lado para o outro como se a caixa craniana fosse um liquidificador ligado a toda velocidade. O pior é que acordei vendo à minha frente os cifrões do real, imaginando o que eles poderiam me ajudar a comprar. Sempre defendi que o entesouramento é inversamente proporcional ao lazer que deixamos de usufruir. Existem pessoas que ficam ricas de uma hora para outra, para mim este percalço deixa as claras à fragilidade do nosso sistema de governo. Por tanto, não vejo com bons olhos a riqueza desassociada do lazer. Há alguns anos, Rui Barbosa disse que chegaríamos aos tempos em que teríamos vergonha de sermos honestos. “Hoje uma música diz: se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”. Este refrão assusta qualquer pessoa de bom senso. Rui Barbosa não estava preocupado com os presidiários em si, mesmo porque na sua maioria eles não são ladrões por opção, mas sim por absoluta necessidade. Acredito que nossas penitenciárias têm muitas pessoas de valor, como acredito que em nossa sociedade existam ladrões que usam fraque e cartola. Para mim, o ladrão não é e nunca será apenas aquele que rouba para comer. São ladrões da mesma fornada todos aqueles que nos tiram algum bem de valor. Inclusive os que nos tiram os direitos mais banais, isto sem falar nos que governam em benefício próprio, usando o dinheiro alheio. A moeda que deveria ser apenas uma mercadoria de troca como uma outra qualquer, passou a ter nos nossos dias um poder “sobrenatural”. Pois, as pessoas que detêm esta mercadoria, se acham no direito de subjugar os seus semelhantes de maneira sórdida e até ridícula. O que mais me deixa desencorajado é ver que o poder do dinheiro está corrompendo pessoas “importantes” da nossa sociedade, justamente as que deveriam nos dar exemplos de dignidade. Eu não sei como estas criaturas conseguem olhar nos olhos dos seus filhos quando são reconhecidas e chamadas de ladrões em praça pública. Na minha concepção estas “autoridades” jamais deveriam ser presas, a prisão para elas é no fundo um prêmio, pois a cadeia, representa um abrigo seguro, na maioria das vezes, altamente protegido pelo Estado. Elas deveriam ser obrigadas a andarem nas ruas com roupas especiais, que as distinguissem das pessoas comuns. Um castigo como este seria bem mais econômico para a população que paga imposto e, quem sabe assim, o nosso vil metal não tivesse tanto valor e, John Lennon, não precisasse fazer versos como esses... “imagine um mundo sem posses / sem necessidade de ganância ou fome”.


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